Segue abaixo texto publicado no Site do Programa Fantástico, que é um resumo da reportagem exibida no programa de ontem. Leiam:
Veja imagens de um
esquema de prostituição em uma das rodovias mais movimentadas do estado
de São Paulo. Vendedoras de suco de laranja atraem caminhoneiros para
programas no acostamento, a céu aberto e à luz do dia. Os flagrantes
foram filmados pela polícia.
Nunca o termo motel de
beira de estrada pareceu tão apropriado. Vendedoras de suco de laranja
fazem programas perto do acostamento, em público, à luz do dia. As
imagens foram feitas há um mês pela Polícia Rodoviária de São Paulo.
Por R$ 20, os clientes, quase sempre caminhoneiros, são levados a um
cercado de lona. Tudo improvisado, e muito mal disfarçado.
Na Rodovia Marechal Rondon, que liga São Paulo a Mato Grosso do Sul,
passam 15 mil veículos por dia. As carrocinhas de suco de laranja
ficavam em três pontos, no trecho entre os municípios de Glicério e
Penápolis, no oeste paulista.
A prostituição ali era tão escancarada que muitas famílias, chocadas,
resolveram procurar a polícia. Durante um mês, a Polícia Rodoviária
Estadual monitorou as vendedoras de suco, que ficavam de frente para a
pista.
Para não chamar a atenção, os policiais gravaram tudo de longe. Eles se
esconderam atrás de uma árvore, no meio do canavial, que fica a uns 200
metros do local.
Nem a chuva atrapalhava os encontros sexuais. Em outro flagrante, o
programa é interrompido por dois policiais, que chegam de surpresa.
“Já existe indício, no inquérito, de que a venda de suco era fachada
para a prática do ato sexual”, afirma o delegado Nelson Barbosa Filho.
De acordo com a investigação, o empresário Carlos Augusto Pereira Salia
é o dono das carrocinhas e chefe das meninas. Ele vendia o suco na
estrada havia oito anos, com permissão do Departamento de Estradas de
Rodagem. A renovação da licença foi negada em 2008, mas o empresário
conseguiu na Justiça autorização para continuar o negócio.
O comerciante não quis gravar entrevista. Ele negou envolvimento no esquema de prostituição.
Nós conversamos com uma das garotas que trabalhavam na rodovia. E ela conta que os caminhões faziam fila.
Prstituta: Até os prefeitos paravam. Os deputados paravam lá para comprar, para querer também.
Fantástico: E vendia muito suco lá?
Prostituta: Tudo eu vendia. Só que extravasada, daquele jeito.
Fantástico: Como assim extravasada?
Prostituta: Roupinha curta.
A vendedora diz que o chefe obrigava as funcionárias a usar roupas
provocantes para atrair os caminhoneiros e aumentar o faturamento. “Ele
falava assim para nós: ‘vendendo o meu suco, vocês fazem o que vocês
quiserem’”, relata uma das jovens.
Ela revela ainda que recebia comissão pela venda do suco e ficava com
todo o dinheiro dos programas, mas se não cumprisse a meta: “Um dia ele
quase me jogou do penhasco, já foi arrastando a perua, meu corpo ficou
grudado na porta. Se sobrava suco, ele faltava matar nós. Ela falava:
‘fica pelada, mostra tudo pra vender’”, conta.
“Assim que nós tivemos a comprovação desses atos sexuais na beira da
rodovia, nós juntamos todas as filmagens e encaminhamos para o
Ministério Público, para que fossem tomadas as medidas legais”, diz o
Tenente Rodrigo Batista, da Polícia Rodoviária de SP.
“O empresário, que é dono do negócio, está sendo investigado por
eventual favorecimento à prostituição, crime de favorecimento”, aponta
o promotor Adelmo Pinho.
Depois que o caso chegou ao Ministério Público, as mulheres não
voltaram para a pista. O que sobrou no local são muitas tampinhas de
garrafinha de suco, garrafinhas de plástico e a estrutura de bambu onde
era colocada a lona.
O dono das carrocinhas de suco pode ser condenado a até 14 anos de
cadeia por explorar a prostituição. As garotas de programa e os
clientes devem responder pelos atos obscenos em público.
Créditos de texto e imagem: Programa Fantástico - Rede Globo